História de vinho
Um leigo à descoberta do vinho 8
Já tive várias vezes problemas com vinho e também por causa do vinho — e, apesar de todas as minhas lamúrias, na maioria dos casos havia boas razões para me meterem em sarilhos. Exceto quando, naquela festa de família da minha namorada, pedi Tokaji sem querer. O nome soava bem, pronto.
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por William Powell
Como é que eu havia de saber que custava quase 250 euros a garrafa? (E também não era propriamente bom… Meu Deus, como era doce.) Mas, neste momento, tenho às costas uma espécie de sarilho que considero bastante injusto.
A Johanna está zangada
A minha afilhada Johanna está zangada comigo e, no seu desagrado, chegou ao ponto de ir fazer queixinhas à minha mulher. Onde é que isto vai parar, se, a cada alegado erro meu, chamarem logo a melhor esposa do mundo para intervir? Além de que a boa senhora provavelmente teria de deixar o emprego, também não há necessidade nenhuma disso. E tudo aconteceu com a melhor das intenções. E certamente ainda há de ser muito útil à pequena. Afinal, o pai tinha-a apanhado a tentar tirar de casa, às escondidas, várias garrafas vazias de uma qualquer bebida açucaradíssima à base de vinho.
Festa do pijama com surpresa
Tinha emborcado aquilo com umas amigas numa pequena festa do pijama e depois esquecera-se de arrumar as garrafas. A miúda tem quase 15 anos e aquela coisa só tem ligeiramente mais álcool do que um sumo de maçã natural, penso eu. Mas nem era esse o problema — o que deixou o meu amigo (e pai da dita adolescente) tão exaltado foi ela andar a beber «uma zurrapa daquelas», quando ele tinha a cave cheia dos vinhos mais deliciosos de todo o mundo. É aqui que a coisa se torna embaraçosa, porque fui precisamente eu quem lhe deu razão.
A pequena diferença
«Às escuras, nem serias capaz de distinguir um vinho branco de um tinto», foi o veredicto arrasador da minha cara-metade, depois de a pirralha da minha afilhada lhe ter contado a minha ideia genial para restabelecer a paz doméstica: conhecimentos de vinho em regime de ensino doméstico! Educação vínica precoce, por assim dizer! Quer dizer, antes que os miúdos cresçam como eu e se contentem com vinho mau.
Tudo nos primeiros 6 meses
O meu amigo, pelo menos, não achou a ideia nada má e, por isso, a minha afilhada tem agora explicações sobre vinho uma vez por semana. Para sua grande deceção (e indignação), exclusivamente teóricas: tipos de vinho, trabalho de adega, estágio e história da viticultura parecem fazer parte do programa do primeiro semestre. Além disso, tem de descobrir o máximo possível sobre algumas garrafas escolhidas da coleção do pai — apenas com base no rótulo.
Tudo no rótulo
Destino: Bad Dürkheim
E o seu querido papá já reservou para os dois umas primeiras miniférias numa propriedade vinícola típica do Palatinado, perto de Bad Dürkheim. Com uma prova de vinhos incluída para o seu 15.º aniversário. Até é bastante querido, não é? E como reagem a minha mulher e a minha afilhada? Ficam zangadas e dizem que a iniciativa é exagerada. «Ela queria beber um copo e vocês transformam-na numa superagente do vinho?», ouvi eu há pouco tempo. O meu único apoio nesta questão é a mãe da malfeitora apanhada em flagrante. Essa limitou-se a encolher os ombros e comentou — sobretudo para a minha mulher: «Podia ter sido pior — o meu pai colecionava uísque!»
Uma coleção de curiosidades, por favor
Vamos ver se o mau ambiente ainda dura muito — afinal de contas, gosto muito da minha afilhada. Talvez fale com o pai dela. Pelo menos, devia deixar de fora a secção de curiosidades da sua coleção. Receio que tanto a Johanna como a minha mulher sintam vontade de me esfolar com a plaina de queijo, se alguma vez servirem Wincarnis à miúda. E quem já provou este tónico britânico à base de vinho, extrato de carne e malte provavelmente até compreenderá esse ato sangrento.

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