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Rebe & Traube

História de vinho

Porque é que todos os planos fracassam por causa do vinho e é precisamente por isso que resultam

No mundo dos negócios há dois tipos de pessoas: as que acreditam que o sucesso começa em folhas de Excel e as que sabem que o sucesso está no copo.

3 min de leitura

Rolhas por iniciativa

Quem alguma vez tentou escrever um plano a cinco anos sem beber sabe: a coisa só corre bem até à primeira linha. «Aumento do volume de negócios de 20 % ao ano» — e logo soa à ementa de um restaurante vegano de comida rápida: ambicioso, mas de algum modo suspeitamente vazio. O mais tardar depois do primeiro copo de vinho, percebemos que talvez, antes de aumentar o volume de negócios, precisemos de uma cadeira onde possamos sentar-nos confortavelmente durante a reunião.

Fazer planos, erguer copos

Em qualquer biografia de um fundador lemos que as melhores ideias surgiram às duas da manhã num loft. O que nunca lá vem escrito: que, ao lado do quadro branco, estava uma garrafa vazia de Merlot e que a visão revolucionária de «Entrega de comida 2.0» era, na verdade, apenas uma tentativa desesperada de tornar a pizza compatível com o vinho tinto.

O próximo copo é sempre o inimigo da estrutura. Mas, paradoxalmente, é precisamente esse copo que nos arranca da roda de hamster dos diapositivos de PowerPoint. Enquanto as cabeças sóbrias vão cumprindo os seus roteiros em cronologias lineares, quem bebe vinho inventa, pelo caminho, um táxi aéreo para animais de estimação. Inútil? Talvez. Mas, vá lá: «disrupção» também já soou a uma desculpa bem regada.

Provas historicamente fundamentadas (ou aquilo que passa por tal)

César atravessou o Rubicão, assim afirmam os historiadores, depois de um festim regado com um Falerno encorpado. Se tivesse apostado na água, provavelmente teria ficado na taberna. Goethe terá escrito «Fausto» inspirado pelo vinho do Reno — em todo o caso, a segunda metade da obra lê-se como uma ressaca literária. E Churchill? O homem conduziu um país inteiro através da guerra — acompanhado de charutos, uísque e uma respeitável carta de vinhos. Diz-se que Steve Jobs rabiscou o seu primeiro desenho do iPhone num guardanapo. Aposto que, do outro lado do guardanapo, estavam as palavras: «Mais um copo de Chardonnay.»

O copo como verdadeira disrupção

No meio das start-ups gosta-se muito de falar de «disrupção». No entanto, a maior parte não passa de um novo modelo de entrega de saladas. O verdadeiro agente de disrupção está nas nossas mesas há milénios: o vinho.

Plano A: escrever a estratégia de marketing.

Copo 1: pequenos erros ortográficos, mas ainda sério.

Copo 2: paredes de Post-it cheias de «ideias para chegar à Lua».

Copo 3: apresentação de uma aplicação que abre garrafas de vinho sozinha.

Copo 4: investidor convencido.

A sequência é simples: sem copo, não há caos; sem caos, não há sucesso.

Gestão empresarial do vinho

Quem hoje quer fazer carreira em grandes empresas tem de adorar chavões. Por isso, proponho: «Pensamento orientado para o próximo copo». As reuniões deixam de começar com uma ordem de trabalhos e um quadro de folhas móveis e passam a começar com um primeiro copo de Riesling. Os indicadores-chave de desempenho passam então a chamar-se «Rolhas por iniciativa». O cumprimento dos objetivos mede-se em «Litros por trimestre». E quem passar demasiado tempo a beber água é despedido pela administração por estar «subarrolhado».

A start-up e o Chardonnay

Recorde-se a lendária start-up berlinense que desenvolveu um dispositivo que abre garrafas de vinho por Bluetooth. Ninguém precisava dele. Ninguém o queria. Mas os fundadores conseguiram cinco milhões de euros de financiamento inicial — e explicaram mais tarde que a ideia tinha surgido numa noite de Chardonnay, depois de terem passado três horas a tentar retirar uma rolha com uma chave de fendas. História de sucesso? Sim. Produto descontinuado? Também. Mas quem se ri não bebeu Chardonnay.

Produtividade na embriaguez das listas

Diz-se que o vinho reduz a produtividade. Disparate! O vinho transforma a produtividade. Quem escreve uma lista de tarefas sem beber acaba com:

Responder a e-mails

Fazer as compras

Preparar a apresentação

Depois do próximo copo, a lista fica assim:

Salvar o Universo

Inventar um capacete de bicicleta para esquilos

Apresentar uma proposta para uma série própria na Netflix

E é precisamente aqui que reside a magia: ninguém quer ver a centésima apresentação. Mas um fundador que afirma seriamente estar a criar o primeiro serviço de streaming para animais de estimação consegue atenção — e talvez capital.

A saída pelo vinho

No fim, todas as empresas sonham com a saída. Entrada em bolsa, venda, estatuto de unicórnio. Mas sejamos honestos: a verdadeira saída é o último gole da garrafa, quando se constata: «Amanhã é que começamos a sério.» O sucesso não é uma folha de Excel. O sucesso é o copo que nos faz atravessar a fronteira entre a razão e a visão.

Conclusão

O próximo copo é uma maldição e uma bênção. Acaba com planos, destrói folhas de Excel, arruína apresentações a investidores. E é precisamente nisso que reside o seu valor. Porque, sem o próximo copo, não haveria ideias loucas, inovações absurdas nem histórias de fundação de empresas que se leem como contos de fadas.

Portanto: beba com responsabilidade — mas beba. Porque, no fim de contas, nos negócios como na vida, a regra é esta: sem copo, não há plano. Sem plano, não há sucesso.

Die Weinpost

Bom vinho. Boas histórias.

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